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..... eu recomendo



pedrada e vidraça

Existem pelo menos três bons motivos para se ler a SUPERinteressante este mês:

1. Indo contra a maré de exaltação papal, a revista traz reportagem de capa sobre a História Secreta da Igreja, onde desanca a banca de muito papa. Inclusive o atual. Matéria bem redigida, ricamente ilustrada, corajosa na abordagem.

2. A matéria sobre como o governo gasta os impostos é um belíssimo infográfico que explica tim-tim por tim-tim sem fazer força. Idéias simples e diretas. Imagine se o total arrecadado fosse R$ 100,00, agora divida entre as rubricas do orçamento...

3. Na matéria sobre as cotas, a SUPER não perdoa nem a si mesma: tasca lá que eles têm telhado de vidro e não têm nenhum repórter negro na redação. 



Escrito por Rogério Christofoletti às 20h29
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Um belíssimo filme

Noite passada, assisti a O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias, longa de Cao Hamburger. E já de início, é preciso dizer: é um dos filmes mais emocionantes do cinema nacional dos últimos dez anos. Bem realizado, na medida e sem rodeios, o filme é de uma sensibilidade contagiante.

A história é simples: 1970, e os jovens pais de um garoto de uns 8 anos deixam o filho com o avô. Os pais "vão sair de férias", quando na verdade se intui que são perseguidos políticos. Acontece que o avô morre antes mesmo de o menino ser recebido. Então, Mauro - o menino - é acolhido pelo pessoal do bairro do Bom Retiro, notadamente judeus e descendentes de italianos. Os dias se passam e o menino aguarda os pais, pois a promessa era de que a volta se daria na Copa do Mundo.

Simples assim.

Mas vai além. Não é um filme de crianças. Não é um filme com crianças só. Mas é um daqueles que nos fazem voltar à infância. Futebol de botão. Bola de capotão batendo na parede encardida do vizinho. Brincar na rua. Apaixonar-se pela bela atendente da padaria. Tanta coisa... Há também a incontornável solidão da infância que todos sentimos: brincar solitário, mergulhar sozinhos no mundo da fantasia e dos sonhos mais eternos.

Se você gosta de comparações, já temos um Cinema Paradiso, mas sem a homenagem à sétima arte. Já temos um Malena, sem Monica Belucci. Mas não só. Meu entusiasmo me faz lembrar da singela trilha sonora, dos planos inteligentes que recortam o cenário da São Paulo moderna e nos mostram apenas a São Paulo amanhecida, amarratoda, periférica, imunda e inesquecível, amável e perdida no tempo.

Gargalhei, me identifiquei, e me emocionei. Lá pelo final, cheguei a pensar que o filme poderia terminar na bela seqüência que recupera as comemorações em Guadalajara do Tri da seleção. Cenas documentais num belo filtro azul-saudade. Mas não. Cao Hamburger ofereceu mais. Inclusive a narração do personagem na última cena: um punhado de frases que me inundou os olhos.



Escrito por Rogério Christofoletti às 07h36
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